Correr mais lento pode te levar mais longe – Dra. Fabiula Schwartz explica como.



Data da postagem: 05/04/2019

 

Durante a corrida, o organismo obtém combustível, prioritariamente, a partir do oxigênio (O2). Quando você corre rápido e esgota a oferta de O2 aos músculos, seu organismo usa um sistema menos eficiente para obtenção de energia e isso vai comprometer seu rendimento. Correr intencionalmente no sistema aeróbico pode te levar mais longe!

 

A corrida é um exemplo de exercício aeróbico. Nesse tipo de exercício físico, grandes grupos musculares em movimento simultaneamente e por longa duração, utilizam o O2 aumentado a capacidade cardíaca, vascular, pulmonar e metabólica. Outros exemplos de exercícios aeróbicos são o ciclismo, a natação, a caminhada e a dança. Esses exercícios são excelentes na prevenção e no tratamento de doenças crônicas que aumentam o risco cardíaco.

 

Nesse tipo de exercício, o O2 ajuda os músculos a converterem glicose, gordura, proteína e glicogênio em energia. A duração prolongada é o fator preponderante nesse tipo de exercício. Para desenvolver esse sistema, você vai correr no ritmo que seus músculos estão com O2 disponível para uso, ou seja, em intensidade não maior que moderada.

 

Quando você corre rápido e esgota a oferta de O2 nos músculos, seu organismo usa outro sistema para obtenção de energia e manter o movimento: o sistema anaeróbico. Aqui, a intensidade é o componente em destaque e os exercícios são de curta duração. A corrida de 100 metros, o arremesso de peso e a musculação são exemplos desse tipo de exercício. A energia gerada pelo sistema anaeróbico é menos eficiente que o aeróbico e você experimenta a fadiga mais rapidamente, tendo queda do desempenho e até interrupção do esforço.

 

Para uma corrida mais lenta, em esforço moderado, a maioria dos corredores amadores estaria com sua frequência cardíaca (FC) entre 60 e 70% da FC máxima. Outras zonas de treino podem ser estabelecidas pelo seu coach para alcance das suas metas. Conhecer sua FC máxima ajudará no planejamento individualizado de seus treinos e sua melhor performance. No próximo post, vamos falar de FC máxima e formas de sua obtenção.

 

Uma forma menos científica, porém bem prática, é observar sua tolerância à conversa durante a corrida. Se você mal consegue falar, está muito rápido – é um esforço intenso. Se fala o tempo todo, sem dificuldades, certamente você está lento demais e a intensidade do esforço é leve. Mas se você consegue falar frases inteiras e tem apenas alguns cortes para pegar fôlego, provavelmente está em esforço de moderada intensidade, em que domina o sistema aeróbico de obtenção de energia.

 

Correr mais lentamente, sob esforço moderado, permite maiores distâncias percorridas e está associado a menor risco de lesão de articulações, ossos, músculos e tendões. Além disso, há menor risco de mal súbito e outras intercorrências clínicas durante a corrida. Experimente correr mais lentamente e prolongue seu tempo como corredor na vida, otimizando a extração de benefícios da corrida à sua saúde por mais tempo.

 

Dr. Fabiula Schwartz (cardiologista)

Cardiologista e Médica do Esporte

Doutoranda em Cardiologia pela UFRJ, mestre, médica do Instituto Nacional de Cardiologia e do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho- UFRJ.

Acredita que a corrida traga consigo o estilo de vida saudável para uma pessoa e para milhões.



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